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quarta-feira, 2 de março de 2011

Quem Crê na Bíblia é um Idiota?

Há alguns dias atrás minha filha de 15 anos chegou revoltada em casa. Sendo uma jovem adolescente que se professa cristã, se sentiu discriminada e ridicularizada no ambiente da escola, bem como seus outros colegas cristãos. Depois de uma aula específica de física, alguns professores começaram a comentar como os "religiosos" e pessoas de "fé" são ignorantes e alienados. O coordenador pedagógico, para fortalecer a idéia e encerrar de vez o assunto afirmou: "E tem gente de uma determinada religião que acredita que Deus fez o homem da terra e a mulher de uma costela tirada do homem." (1)

    A idéia de que aqueles que se declaram cristãos e crêem na bíblia são pessoas sem senso crítico, e, portanto, desprovidas da capacidade de reflexão mais profunda, não é algo novo. Contudo, parece que toma em nossos dias um novo impulso e uma abordagem mais irônica, até mesmo sarcástica.

    Penso que a maioria dos educadores e outros profissionais que defendem com tanto ardor a ignorância e estupidez dos que dão à Bíblia valor como fonte de verdade estão tão "crentes" em seu posicionamento e tão radicalizados em sua "fé", que não conseguem se aproximar de algumas fontes de conhecimento tão acessíveis. As diversas análises e descobertas em vários campos da ciência que renovam em nossos tempos a percepção de como a Bíblia é um livro totalmente diferenciado de todos os demais escritos em toda a história são mantidas ao largo. (2)

    Questões como índice de acerto manuscritológico, comprovações arqueológicas, coerência interna, fatores históricos comprovados e tantas outras se quer são consideradas por tais críticos. E o que lhes condiciona, por incrível que pareça, é sua fé cientificista. Não o conhecimento cientifico, mas sua fé cientificista. Em sua "religião" não cabe nada além de seu deus "razão". Quem tem olhos para ler, leia! (3)

    São tão apegados à sua idolatria cientificista que ignoram que o único livro sagrado antigo que aponta para um universo com um princípio, como comprovou Einsten, é a Bíblia.(4) Estão de tal modo devotos de seu ídolo, o racionalismo, que mesmo pesquisas tão avançadas como o mapeamento do genoma humano são simplesmente ignoradas por estes verdadeiros " fanáticos". Cientistas renomados e respeitados como Amit Goswami e Francis Collins têm demonstrado com suas conclusões cientificas como a realidade é mais do que "causa e efeito", e como o próprio universo em si aponta para a necessidade lógica de uma Mente Criativa. (5)

    O Eterno revelou em Sua Palavra, de um modo que todas as culturas em todos os tempos possam entender: Em sua sabedoria fez o homem dos mesmos elementos químicos constituintes do cosmos e da terra. Revelou, também, como é o maior especialista de todos os tempos em genética, ao tirar um pouco de tecido do homem para compor a mulher com o mesmo DNA, a mesma essência. Num tempo de tanto avanço tecnológico, em que nós, pobres mortais, extraímos células-tronco de umbigo de recém nascidos e somos capazes de tantas outras coisas, como se sustenta a incapacidade de tantos em não compreender uma verdade dita de um modo tão simples e compreensível? Isto, muito antes que qualquer das muitas verdades e leis científicas fossem descobertas pelo conhecimento humano.

    Ao lhe responder nestes termos, perguntei à minha filha sobre a afirmação do coordenador: "Afinal de contas, quem é alienado e ignorante na verdade?" Nem preciso narrar qual foi a sua resposta!

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  1. A citação é uma referencia a Gênesis capítulo 2, conforme os versículos 7, 21 e 22.
  2. Existem muitos materiais escritos em português sobre dados científicos, questões filosóficas e outros aspectos no confronto da Bílbia com seus críticos. Um dos clássicos é "Evidencias que Exigem um Veredito", em dois volumes, escrito por Josh MacDowell.
  3. Cientificismo ou cientismo é a doutrina dos que consideram os conhecimentos científicos como definitivos. Tem a razão como base e pode ser tomado como uma doutrina semelhante ao racionalismo. O Cientismo pode ser resumido na seguinte afirmação: "Tudo é explicável pela Ciência". Definição conforme Wikpédia.org
  4. Um bom livro para análise de como a Teoria da Relatividade e outras descobertas apontam para a existência de Deus, e também acham conexão de coerência com a Bíblia é "Mostre-me Deus", de Fred Heeren, pela Clio Editora.
  5. Amit Goswami é escritor, físico e conferencista. Foi professor da Universidade Oregon (EUA) durante 32 anos. Entre outros livros, escreveu "O Universo Auto-Consciente". Existem vídeos e transcrições de uma interessante entrevista dada por ele ao Programa Roda Viva, da TV Cultura. Francis Collins é um dos cientistas mais respeitados em todo o mundo. Foi diretor do Projeto Genoma Humano que mapeou nosso DNA. Escreveu o livro "A Linguagem de Deus", onde narra porque migrou do ateísmo para professar a fé cristã e como a estrutura do DNA humano indica a necessidade e realidade da espiritualidade.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A Origem do Dia Internacional de Ações de Graças


"Aclamem o Senhor... entrem em sua presença com cânticos alegres. Reconheçam que o Senhor é o nosso Deus... Entrem por suas portas com ações de graças e em seus átrios com louvor; dêem-lhe graças e bendigam o seu nome. Pois o Senhor é bom..." Salmo 100






O Dia de Ações de Graças começou a ser comemorada nos Estados Unidos desde sua colonização. Depois de um tempo de grandes dificuldades, os colonos da antiga província de Plymouth rogaram a Deus sua providência e em 1621 tiveram como resposta uma grande colheita. Para celebrar a dádiva dos frutos da terra os camponeses convidaram os povos indígenas e juntos festejaram diante de Deus a bênção da abundante ceifa.

Como as festividades de gratidão foram se repetindo anualmente, em 1789 o presidente George Washignton declarou o dia 26 de novembro como Dia Nacional de Ações de Graças. Posteriormente, o presidente Abraam Lincon declarou que o dia seria comemorado na quarta quinta-feira do mês de novembro. Esta é a data em que o Dia de Ações de Graças é comemorado até hoje.

Muitas nações passaram a incluir no seu calendário esta festividade. No Canadá a data é comemorada desde 1872. No Brasil, o Dia de Ações de Graças faz parte do calendário de festividades oficiais, porém nunca encontrou grande expressão entre a população.

Faz-se importante ressaltar que a ocasião serve principalmente para nos lembrar que a gratidão deve ser uma marca constante na vida cristã. Ser grato é um estilo de vida baseado na consciência da graça de Deus. No Velho Testamento havia festas e instruções específicas sobre as ofertas de gratidão. No Novo Testamento o Espírito Santo foi derramado na maior celebração de gratidão do calendário judaico: a festa de pentecostes. A Igreja Primitiva celebrava suas ações de graças através de encontros como as Celebrações Ágapes.

Neste fim de semana (27 e 28/11/2010), nós da Igreja Luz manifestamos toda nossa gratidão a Deus por todas as suas obras sobre nossas vidas, família e comunidade, com a consciência de que gratidão deve ser a expressão contínua de nossos corações diante de nosso Deus e seu Filho Jesus Cristo.


Jean Chagas

terça-feira, 2 de novembro de 2010

“Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est”



Gisbertus Voetius (1589-1676), reformador holandês, cunhou pela primeira vez a expressão: "Ecclesia Reformata et Semper Reforamanda Est" (Igreja Reformada Sempre se Reformando). Uma vez que a Reforma foi um movimento no passado, iniciado em 31 de outubro de 1517 quando Martinho Lutero fixou suas 95 teses na porta da Catedral de Witemberg, a expressão leva o nosso olhar para traz.


Ao rememorar o passado, a história revela o quanto o cristianismo medieval afastou-se da essência do Evangelho de Cristo, substituindo a verdadeira fé por misticismo, barganhas, esforço pessoal em troca do favor divino, etc. O que estava em jogo não eram elementos periféricos da religiosidade, mas o sentido mais profundo da fé e da experiência cristã. A Reforma eclodiu como uma força de resgate do Evangelho da graça, e deste movimento histórico, é oriunda as Igrejas de tradição reformada. A sistematização teológica produzida pelo reformador João Calvino ofereceu a estas Igrejas um profundo embasamento e profundidade nas Escrituras Sagradas.


Não obstante, o lema "Igreja Reformada Sempre se Reformando", conclama a um olhar para o presente e futuro. No compasso cíclico da história, alguns dos mesmos desafios do século XVI, novamente se apresentam travestidos de outras alegorias. Mais uma vez somos testemunhas do afastamento progressivo das expressões cristãs do cerne da verdade do Evangelho. A tendência da natureza humana de negar a graça de Deus e procurar substituí-la por justiça própria tem levado comunidades inteiras a um afastamento da verdade bíblica.


Outro grande perigo é a tendência de muitos herdeiros da Reforma em transformarem os valores resgatados no século XVI apenas num tipo de tradição, ou em outros casos, num tipo de filosofia pra vida. "Igreja Reformada Sempre se Reformando" não pode ser um revisitar contínuo do século XVI, mas sim o revisitar contínuo de Cristo e sua Palavra. É falar, viver e experimentar a graça da Cruz. Trata-se de dar sempre um passo pra frente, porém, nunca deixar de estar ancorado na Rocha. Ser Reformado aos olhos do Mestre é expressar a renovação de vida diária, produzida pela graça do novo nascimento.


Jean Chagas

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O Poder do Encontro com Cristo



Lucas 8.26-56




De geração após geração milhares de pessoas testemunham o poder transformador ao terem um encontro pessoal com Jesus Cristo. Hoje, através do ministério do Espírito Santo, declaram suas experiências de arrependimento e fé e como suas mentes foram abertas para compreender o amor e o plano de Deus mediante a Cruz.


Contudo, do ponto de vista histórico, poucos tiveram o privilégio de vivenciarem esta experiência tendo a presença física do Homem de Nazaré. Sobre os que "não viram, mas creram", o próprio Mestre os declarou bem-aventurados. E quanto aos que "viram e creram", muitos de seus relatos estão registrados na bíblia como um testemunho vivo do poder de Jesus.


Em Lucas 8 temos uma seqüência de encontros entre Jesus e pessoas com diversas realidades. Cada personagem do texto revela uma esfera do poder extraordinário do Mestre em transformar mais do que as circunstâncias, e sim, as suas próprias vidas.


Em seu encontro com o endemoninhado geraseno, Jesus revela o poder de libertar o ser humano das forças do reino de trevas, restituindo a dignidade junto à comunidade e família. Com a mulher enferma, cura seu corpo, mas também lhe restitui a perspectiva de futuro e aceitação, uma vez que sua hemorragia lhe conferia um estigma contínuo de pessoa impura. A uma menina, revela como aqueles que lhe encontram recebem a vida no lugar da morte. Ao pai que lhe clamou por socorro revelou um caminho de verdadeira espiritualidade em troca de uma religiosidade vazia.


De fato, é impossível manter-se o mesmo quanto se tem um encontro vivo com Jesus. Liberdade, cura e aceitação, vida nova e espiritualidade emanam do poder transformador de Cristo em nós. O que lhe cabe refletir é se já experimentou este encontro transformador. Sua liberdade, aceitação por Deus, vitória sobre a morte e espiritualidade genuínas só serão apropriadas em Cristo. Através da oração você pode se entregar totalmente em confiança ao Mestre dos mestres.


Depois do encontro é necessária a caminhada. Os que encontram Cristo agora estão numa jornada com Ele. Alimentam-se de sua Palavra, bebem da fonte do Espírito Santo e com outros que estão ao caminho, crescem em sua jornada, andando ao lado de Jesus.



Jean Chagas


quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Não Existe Voto Autônomo para um Cristão!



"Quando, porém, disseram: 'Dá-nos um rei para que nos lidere', isso desagradou a Samuel; então, ele orou ao Senhor. E o Senhor lhe respondeu: 'Atenda a tudo o que o povo está lhe pedindo; não foi a você que rejeitaram; foi a mim que rejeitaram como rei'." 1 Samuel 8.6-7




O desejo de autonomia em relação a Deus é um terrível caminho e um grande engodo para um cristão. O compromisso assumido com o senhorio de Cristo nos obriga a depositar aos pés de sua vontade toda e qualquer decisão que necessitemos tomar. Isto envolve o nosso dever democrático e nossa liberdade de escolha através do voto.


Para o discípulo de Jesus a decisão de seu voto nada mais é do que o resultado da busca do discernimento da vontade de Deus. Os números a serem digitados na urna eletrônica precisam estar cativos da sincera busca do acerto, e do desejo sincero do eleitor cristão de ser coerente com sua consciência diante de Deus.


O problema de Israel no tempo de Samuel não era o fato de o povo desejar um rei em si, mas a intenção deliberada de excluírem Deus como o verdadeiro soberano de suas vidas, lançando-se a uma escolha autônoma. Não é com este mesmo sentimento de liberdade absoluta que muitos cristãos estão definindo o seu voto?


Quero sugerir alguns elementos que podem contribuir para um voto consciente, debaixo de submissão a Deus e no exercício de uma verdadeira cidadania:




  1. Conheça as propostas dos candidatos que intenta votar e veja a coerência do que sugerem com os valores que norteiam o Reino de Deus;


  2. Conheça a trajetória histórica e ética dos candidatos que intenta votar comparando suas promessas e propostas com o curso público de suas condutas;


  3. Busque verificar a veracidade de informações que surgem de boatos, fofocas e casuísmos eleitorais, ou se de fato tais informações correspondem com a verdade sobre alguém ou seu partido;


  4. No caso dos candidatos que se declaram cristãos, seja ainda mais rigoroso na avaliação de sua vida pública e de suas idéias, pois levarão consigo o testemunho de Cristo às esferas de poder;


  5. Caso identifique num cristão genuíno a ética necessária para o exercício público, em oração, busque oferecer-lhe a primazia de seu voto. A Bíblia é clara em dizer que quando o justo governa o povo se alegra (Provérbios 29.2).


  6. Não escravize o seu voto a nada e a ninguém, a não ser à Cruz de Cristo. Como toda decisão em sua vida, sua mente deve estar cativa do desejo de agradar o Senhor. Para isto Ele lhe concedeu inteligência, senso crítico e temor.



Jean Chagas



domingo, 29 de agosto de 2010

Frustração Versus Esperança




Frustração é um sentimento comum e inevitável a todo ser humano. Amigos nos traem e nos frustram. Familiares nos decepcionam e nos frustram. Seu time perde aquele jogo tão importante, e te frustra. Você aposta todas as fichas naquela aprovação e descobre que não foi aprovado. Mas a pior das frustrações é quando você se vê derrotado por você mesmo. Chega uma hora que fica difícil ter algum tipo de esperança, manter algum nível de expectativa.


Davi foi um mestre em acumular decepções: sentiu o ódio e perseguição de Saul, o líder a quem serviu. Viu seu povo voltar-lhe as costas nos momentos mais difíceis de sua trajetória. Fugiu de seu próprio filho que desejava matar-lhe e usurpar o trono. Contudo, nada foi mais desalentador para Davi do que sentir a inconstância e maldade de sua própria natureza. Ao tomar a mulher de seu humilde servidor e articular sua ruína, decepcionado por sua própria capacidade de fazer o mal, ele declara: "Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado me persegue." (Salmo 51.3)


Diante da frustração com os outros e consigo mesmo Davi brada uma interrogação: "Mas agora, Senhor, que ei de esperar?" (Salmo 39.7) Esta é a realidade de milhares de pessoas que já experimentaram o amargor da frustração. Contudo, não é um questionamento sem resposta: "Minha esperança está em ti". Ele conclui! É bem provável que sua mente voltava-se a cada experiência de proteção e relacionamento com Deus: Como o Senhor lhe fortaleceu o braço contra as feras do campo e lhe deu vitória contra o gigante Golias. O modo pelo qual o livrou das mãos de Saul e como agiu diante da perseguição do filho rebelde. Por fim, pôde lembra-se de como no Altíssimo ele havia encontrado perdão e a possibilidade do recomeço diante de suas próprias fragilidades.


Em Deus a frustração é derrotada pela esperança! Quando compreendemos o significado da Cruz, somos transportados para aquela condição onde tudo perde o sentido para reencontrar o seu real valor no arrependimento e na fé. Como exclamou o discípulo traidor, reconciliado à beira da fogueira no mar de Tiberíades: "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Conforme a sua grande misericórdia, ele nos regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos..." (1 Pedro 1.3)




Por Jean Chagas

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Pais que Oram





"E todos os teus filhos serão discípulos do Senhor; e a paz de teus filhos será abundante".


Isaías 54.13




Existem muitas coisas pelas quais sou grato quanto à dedicação de meu pai a mim. Reconheço todo investimento de tempo, finanças e sofrimento que ele sempre me ofereceu.


Considero ser uma pessoa privilegiada pela dádiva de nascer em minha família e de ter recebido tanto como filho. Contudo, hoje, à altura do percurso de vida que estou, sei que um dos maiores legados que recebi e cuja fonte nunca cessou são as orações de meu pai a meu favor.


Ao ler nestes dias um pequeno texto, pude rememorar o testemunho de minha mãe ao dizer: "Meu filho, seu pai sempre orou por você. Quando criança, muitas vezes o vi ajoelhado do lado do seu berço. Ainda hoje, sendo você um adulto, o vejo levantar de madrugada e apresentar você, sua esposa e os netos diante de Deus."


Deixo as palavras de Max Lucado na esperança de que Deus desperte pais a orar, sejam eles biológicos ou simplesmente do coração. Deixo também um desafio: Se não teve a bênção de ter um pai que ora por você seja um pai de oração para alguém, até mesmo os que não nasceram da sua carne, mas foram plantados pelo Espírito Santo em sua alma:


"Nunca subestime as meditações de um pai e de uma mãe cristãos. Nunca subestime o poder que emana quando um pai ou uma mãe pleiteia com Deus a favor de um filho. Quem sabe quantas orações estão sendo respondidas agora, por causa da oração fiel de um pai ou uma mãe, feita há dez ou vinte anos? Deus ouve a meditação dos pais. Orar por nossos filhos é uma nobre tarefa. Se o que fazemos nesta sociedade que caminha a passos rápidos está nos impedindo de orar por nossos filhos, estamos fazendo demasiadamente. Não há nada mais especial, mais precioso, que o tempo que um pai ou uma mãe despende em esforço e meditação com Deus, a favor de um filho"


Jean Chagas

sábado, 12 de junho de 2010

As Constantes Tragédias Naturais e a Perspectiva Cristã

(Olhar de um home para o mar depois que o tsunami na Indonésia arrastou toda a sua família para a morte)


Há um sentimento coletivo de perplexidade e medo na sociedade diante da quantidade e tamanho das catástrofes naturais que assolam diversos países e milhares de pessoas num curto período mundo a fora. Cada número de mortos, feridos e desabrigados revela o drama de gente com nome, história e relacionamentos. Tudo perdido ou afetado por forças que não estão no controle de governos e muito menos de indivíduos.


Qual a atitude que o verdadeiro cristão deve desenvolver diante de tudo isto? Quais as expectativas e posições que deve nutrir? Quero sugerir três linhas gerais de percepção à luz das Escrituras que devem nortear nossas conclusões e atitudes diante de eventos tão terríveis:


Ponto 1 - Toda relação com a sociedade e com as pessoas deve ser marcada pelo amor e compaixão (Salmo 146) – Antes de indagarmos o "porquê" de tais acontecimentos, devemos nos solidarizar com os que sofrem e promover por todos os meios possíveis modos de socorro e exercício da misericórdia. Nosso ponto de partida deve ser oração com ação. Podemos fazer isto de vários modos, inclusive por meio das centenas de organizações cristãs que estão mobilizadas e ativas nos países assolados por grandes catástrofes.


Toda forma de juízo e preconceito deve ser extirpado: Tenho visto pessoas afirmarem que a tragédia haitiana é fruto da prática do "voodoo" naquele país, mas não usam o mesmo critério de avaliação para o Chile, ou a Europa com seu caos aéreo, ou a China e assim por diante. Alguns nem consideram que na tragédia ressente no Rio de Janeiro, mais de 10 irmãos em Cristo foram soterrados dentro de uma pequena Igreja no morro do Bumba.


Portanto, nosso ponto de partida diante da tragédia deve ser a extensão de nosso amor em Cristo àqueles que padecem, sabendo que com o tamanho da vara que medirmos os outros, também seremos medidos. Oração e ação humanitária é a resposta prática ao sofrimento de milhares de pessoas, que como nós, foram criados à imagem e semelhança de Deus e que podem receber o alcance da graça divina através dos verdadeiros seguidores de Jesus.

Ponto 2 – Por reconhecer a responsabilidade humana dada por Deus no cuidado com a criação, a fé cristã obriga a nossa consciência a uma atitude profética
(Gênesis 1.28-31) – A destruição do meio ambiente e de seus recursos é um atentado contra Deus e contra o próprio homem. Portanto o discípulo de Cristo, movido por sua convicção e fé de ser um defensor da criação e um denunciante dos abusos humanos quanto àquilo que Deus confiou aos seus cuidados.


Não obstante, a autoridade necessária para em nome de Deus denunciar o abuso da ação humana quanto à natureza nascerá em primeiro plano do nosso próprio estilo de vida comprometido com o desenvolvimento sustentável. A falta de um cristianismo mais profundo e com respostas contemporâneas tem "desobrigado" milhares de cristãos de uma consciência bíblico-ecológica.


É verdade que muitas tragédias naturais nada têm haver com a ação humana, porém podemos atestar, pela própria experiência, que a maioria delas foram agravadas e causadas pela ação dos seres humanos no planeta. Cabe ao cristão ser um agente de proteção e um profeta em nome de Deus contra tal pecado.


Ponto 3 – O desequilíbrio da natureza mostra as conseqüências do pecado sobre toda criação, ao passo que nos lembra o projeto redentor de Deus para o mundo - O texto de Romanos 8.19-22 afirma que a natureza está debaixo do cativeiro da corrupção e por isso geme. Na queda Deus havia declarado a Adão que "maldita é a terra" por causa do pecado (Gênesis 3.17). A criação reage às constantes agressões do homem, porém, sofre com as conseqüências da presença do pecado que gera deformidade em tudo que Deus criou em nosso planeta.


Esta mesma natureza que geme por sua corrupção vive a ardente expectativa da manifestação dos filhos de Deus. Isto nos revela a maravilhosa verdade que nos consola ao sabermos que a natureza faz parte do Seu projeto redentor. Ele fará novo céu e nova terra e renovará a vida, liberta do presente cativeiro do pecado. Então, não haverá mais pranto, morte ou dor, pois as coisas antigas haverão passado (Apocalipse 21.1-5).


Portanto, ao responder às tragédias com compaixão aos que sofrem e com denúncia e exemplo para com os agentes humanos causadores, estamos anunciando que o Reino de Deus já está presente mediante o evangelho de Jesus. Porém, oferecemos a esperança consoladora da redenção de Deus sobre a sua criação. Ao conformarmos nossas atitudes e pensamentos aos valores da cruz descobriremos que os cristãos possuem um papel muito mais ativo a ser cumprido. Isto vai muito além de manter o olhar à distância, fruto de um juízo mórbido que um dia pode se voltar contra nós mesmos. Basta que a tragédia deixe de ser "lá" para ser "aqui".


Jean Chagas

sábado, 29 de maio de 2010

Um Contraste que nos Exige Posição


Um fenômeno inegável no Brasil é o crescimento dos evangélicos. No estado de Goiás e em sua capital, Goiânia, este processo demonstra-se forte e com contínua ascendência. Conforme dados do IBGE no estado mais de 20% da população declara-se evangélica e na capital o percentual chega a quase 25%. Estamos entre as cinco capitais mais evangélicas do Brasil. Conforme a historiadora Maria Tereza Canegim, só na Grande Goiânia, são mais de 1600 templos. Destaca-se ainda a presença de considerável número de mega-igrejas e do comparecimento evangélico em todos os setores da sociedade.


Este avanço da Igreja deve ser considerado uma grande bênção de Deus. Não obstante, há um contraste que deve ser percebido e que nos exige um posicionamento à medida que nos tornamos mais influentes e presentes na sociedade: o fato de mais igrejas e cristãos não corresponderem necessariamente à transformação da sociedade.


Tal contradição pode ser exemplificada por alguns números: segundo dados da Polícia Federal o estado de Goiás é o primeiro no ranking de pedofilia virtual, com 22% das ocorrências, perdendo para o Rio (14%) e São Paulo (11%). O Instituto Sangare apresenta dados que posicionam a cidade e o estado em 15º lugar em assassinatos no país. Estamos à frente de cidades como Belo Horizonte e São Paulo em homicídios. Em reportagem do jornal Diário da Manhã de 10/03/2010, Goiás é apontado como o líder no Brasil do tráfico internacional de mulheres. Há uma epidemia crescente do Crac e de outros entorpecentes em escala avassaladora.


É hora de clamarmos a Deus por uma resposta: "Porque nosso sal não tempera e nossa luz se mantém ofuscada?" É hora de aliarmos crescimento com transformação!

Algumas Possibilidades:

Para responder a este grande desafio existem ações que precisam ser adotadas com os crentes em particular e com as comunidades locais de um modo mais coletivo. É necessário o investimento de tempo e dedicação no discipulado para formar uma nova mentalidade cristã nos indivíduos. Para isto será necessário resgatar a percepção das diversas dimensões do evangelho da vida humana. Ao discipular devemos resgatar o valor de se viver no mundo para a glória de Deus. De dar o melhor não para ganhar mais, e sim para glorificar e adorar mais! Cristãos comprometidos com a glória de Deus em tudo que fazem são profundos agentes de transformação na sociedade, enquanto uma fé rasa mantém a devoção mesquinha e egocêntrica.


Do outro lado do espectro, necessitamos despertar uma consciência de serviço e transformação nas comunidades cristãs. Elas precisam tornar-se comprometidas e engajadas no bem da cidade. Dinamizar o uso de nossos espaços físicos em função da população, usando a criatividade e os recursos que temos de voluntariado em nossas Igrejas. Temos que ir à sociedade e chamar a sociedade até nossas salas e templos numa atitude de serviço humanitário. Haverá a necessidade de uma consciência mais profunda de parceria entre igrejas, e entre instituições.


Por fim, entre estas poucas e insuficientes sugestões, penso que devemos repensar nosso engajamento político partidário. A Igreja não pode tornar-se curral eleitoral para buscar influência na sociedade. Ela precisa avançar profundamente numa consciência de cidadania e políticas sociais à medida que se mantém isenta do poder partidário. Este é o único caminho para mantermos nossa autoridade profética. Irmãos e irmãs que admitem sua vocação para ocuparem cargos públicos serão de grande bênção para a sociedade, mas não podem esperar que a igreja curve-se a um projeto específico de poder que não parta do evangelho e volte para o evangelho. Setores da sociedade como o ministério público mantêm-se isentos da política partidária, mas não da política social. Isto se deve à sua natureza. A igreja, também por sua natureza deve cooperar com as políticas sociais porém isentar-se das políticas partidárias.

Jean Chagas

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Os Princípios da Conectividade em Romanos 12.9-21


As pessoas andam "plugadas", "conectadas", à maquinas, sistemas, programas, redes, etc. Mas a maioria possui profunda dificuldade de compreender a vontade de Deus prática e objetiva para suas vidas. Parece que a "linha"vive em pane. É um "apagão" constante da conectividade com o Altíssimo.


Esta mesma dificuldade processa-se nos relacionamentos mais próximos. Gente que abre o coração pra um desconhecido no msn mal dá conta de dizer "bom dia" para as pessoas que habitam a mesma casa. Há uma ruptura quando o relacionamento sai da virtualidade para a realidade. As palavras e atitudes somem quando envolvem toque, cheiro, espaço físico, etc.


Para você que deseja sinceramente conectar-se com Deus e aproximar-se das pessoas, gostaria de compartilhar uma série de princípios da conectividade à luz de Romanos 12.9-21. Vamos fazer assim: Nos próximos dois domingos (21 e 28/11/2009) eu ministro na Igreja Luz, e logo, na segunda, coloco a síntese aqui para você. Sei o quanto é importante para todos nós vencermos a distância com a vontade de Deus e com o coração das pessoas que estão ao nosso redor.


De antemão, lembre-se que toda base de relacionamento com Deus parte do amor. Você ama a Deus? Você ama as pessoas com quem tem tido tanta dificuldade de se aproximar? Sem amor, princípio algum nos ajudará. Porém, se falta amor, seu ponto-de-partida pode ser, a partir de agora, buscá-lo. Você pode orar e dizer a Deus com toda sinceridade de sua necessidade, e para que ele multiplique o amor em seu coração, por Ele e pelas pessoas!


Claro que você está convidado a estar conosco neste domingo para compartilharmos juntos. Mas se não for possível, nos encontramos a partir de segunda neste espaço para que a Palavra de Deus nos dê algumas respostas.


Um abraço,


Jean Chagas

sábado, 17 de outubro de 2009

Os Resultados da Justiça Pela Fé – Romanos 5.1-5



Resumo do Ensino do Texto:


Após apresentar no capítulo 4 Abraão como exemplo de homem justificado pela fé e demonstrar que não há outra justiça que salve o pecador se não, tão somente, a obra da Cruz, o Apóstolo passa a demonstrar os resultados da justificação pela fé na vida daquele que crê. O homem cuja justiça procede da fé tem um relacionamento de paz com Deus, possui acesso a todos os meios da maravilhosa graça e vive na perspectiva da esperança quanto à glória de Deus. E, apesar de toda provação, sua vida é marcada por um "ciclo virtuoso" – tribulações que produzem perseverança, perseverança que conduz a um caráter aprovado, caráter transformado que aumenta a esperança... Uma vez renovada a esperança, o ciclo também se renova na perspectiva de tornar as tribulações um processo de crescimento e bênção. Assim, pela justiça de Deus, a vida passa a ter uma nova cosmovisão e a certeza do amor de Deus enche o coração a cada dia.


Algumas Lições Preciosas:


1) Posso me aproximar de Deus sem medo, uma vez que a paz foi conquistada pela justiça de Cristo sobre mim. Agora posso ter a certeza que serei aceito diante do Altíssimo, mesmo sendo tão miserável pecador;


2) Os meios para viver na graça e pela graça estão à minha disposição. O Espírito habita em mim, tenho a Palavra e a oração, a comunhão com meus irmãos e tantas outras coisas que Deus tem me dado para sustentar a minha fé. Porém, como sou inclinado a abdicar destas dádivas da graça por aquilo que não edifica. Preciso estar a tento a esta tentação;


3) Se agora, debaixo da justiça de Cristo, mesmo as tribulações tornam-se parte de um processo de crescimento, porque eu viveria a murmurar ou a questionar a vontade de Deus para mim? Preciso aprender a confiar no Senhor e abrir mão daquilo que eu mesmo imagino ser o melhor.


Minha Oração:


"Senhor, meu coração se enche de gratidão por sua obra em minha vida. Além de agradecer-lhe, o que posso fazer é render tudo a ti, o que será sempre insuficiente diante de Teu inefável amor. Por isso, Senhor, celebro a paz que tenho contigo. Peço que o Senhor me ajude a fazer uso apropriado dos meios de graça que o Senhor me concedeu e abra os meus olhos para perceber que mesmo as tribulações estão produzindo um bom fruto em minha vida. Com todo louvor, em nome de Jesus, Amém!" (Jean Chagas)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Uma Visão Panorâmica da Epístola aos Romanos



Ao meditarmos numa porção das Escrituras necessitamos considerar o contexto, tipo de literatura e propósito do livro bíblico. O objetivo deste cuidado de observação é para que nossas conclusões e aplicações estejam em coerência com aquilo que de fato o Espírito Santo comunicou através dos Apóstolos e Profetas.


Os crentes de nossa comunidade estão instruídos a meditar diariamente na Epístola aos Romanos no decorrer dos meses de outubro e novembro deste ano de 2009. Para auxiliá-los ofereço algumas informações importantes que podem contribuir na compreensão do texto Sagrado.


O que são Epístolas?


Na Bíblia as epístolas referem-se a um tipo específico de livro, entre os 66 livros da Bíblia. Estes escritos bíblicos, inspirados pelo Espírito Santo, possuem uma estrutura de carta. Geralmente começam com uma breve introdução onde em muitos casos apresenta-se o autor. Posteriormente, com muita freqüência é apresentada uma oração pelos destinatários. Após, vem o corpo da carta com o seu conteúdo principal. Por fim, a maioria das epístolas possuem uma conclusão com recomendações finais e a bênção. Esta estrutura clássica é muito perceptível na Epístola aos Romanos (Introdução – 1.1-7; Oração – 1.8-15; Conteúdo Geral – 1.16-15.13; Conclusão e Bênção – 15.14-16.27).


Qual o Contexto Histórico da Epístola aos Romanos?


O Apóstolo Paulo se apresenta como o autor da epístola. Escreveu aos crentes que viviam em Roma, uma comunidade que Paulo ainda não conhecia, até então, pessoalmente. D. A. Carson, Leon Morris e Douglas J. Moo, eruditos em Novo Testamento, concordam entre si que provavelmente Paulo escreveu aos Romanos ao final de sua terceira viagem missionária, quase certamente da cidade de Corinto. O ano mais adequado é 57 d.C. Estas conclusões são extraídas de declarações do Apóstolo como as que aparecem em 15.24, 28, ao serem comparadas com a trajetória de sua vida. O seu propósito central é apresentar o evangelho como poder de Deus para a justificação de todo aquele que crê.


Qual a grande contribuição da Epístola aos Romanos?


Pode-se considerar esta Epístola o principal tratado teológico sobre a própria natureza e poder do evangelho. É fonte de grande orientação, confrontação e conforto espiritual para todos os que anseiam mergulhar com profundidade nos rios da graça do Altíssimo. Você irá perceber a miséria humana a começar de você mesmo e entenderá que fora de Cristo não há esperança. Porém, será inundado por grande alegria e segurança ao ser servido com a verdade de quem é Cristo para aquele que nele crê. A inefavel riqueza desta Epístola poderá levar aquele que tem "ouvidos para ouvir" para um aprofundamento de sua obediência e o amadurecimento de sua fé.

Jean Chagas

terça-feira, 21 de julho de 2009

Marcelina: Uma Guerrilheria do Reino de Luz!


Nascida em uma comunidade nos alpes andinos peruanos, Marcelina baixou à cidade de Cusco em sua adolescência para cursar seus estudos. As coisas não eram nada fáceis, pois tinha que trabalhar para sustentar-se enquanto buscava galgar passos em sua vida estudantil.

Acostumada a ver toda opressão e miséria nas comunidades quexuas, começou a ler os escritos de Marx e Lennin, como também das mulheres revolucionárias da Nicarágua. Pouco a pouco ingressou-se num movimento revolucionário comunista. Tal movimento transformou-se no conhecido grupo guerrilheiro que balançou as bases do país nas décadas passadas chamado "Sendero Luminoso".





Ao engravidar-se ainda jovem viu a necessidade de afastar-se do movimento para cuidar de seu filho e de sua mãe, já idosa. Em meio a muitas ameaças de seus antigos companheiros, mudou-se para uma região distante e passou a trabalhar numa fábrica.

Na posição de supervisora de produção, contratou duas mulheres que se declaravam crentes. Suas subordinadas passaram a ser motivo de zombarias e risadas para Marcelina. Porém, o testemunho das duas mulheres foi tão marcante que levou Marcelina a interessar-se pela Bíblia e por Jesus. Seu coração progressivamente se abriu para o evangelho até que se entregou-se a Cristo como Salvador e Senhor.




Com toda intensidade aproximou-se da Igreja e logo ocupava cargos de liderança. Sua paixão pelo povo quexua não lhe permitiu ficar isenta. Tornou-se evangelista das comunidades campasinas, sendo consagrada ao ministério pela Assembléia de Deus do Peru. Hoje dirige uma igreja e sete pontos de pregação nestas comunidades, tendo como base a cidade de Tinta. Paradoxialmente, Tinta é a cidade mais importante para a revolução de independencia peruana e cidade de origem do próprio Sendero Luminoso.

Depois de 4 dias de intensos trabalhos de evangelizaçao e distribuição de bíblias junto com esta admirável mulher, creio que posso descrevê-la como uma guerreira na evangelização, uma mãe no pastoreio, uma expressão de humildade como discípula de Jesus e uma verdadeira companheira como irmã em Cristo.

Sua visão ministerial é investir em crianças e adolescentes para o alcançe da cosmovisão cristã em meio ao povo quexua. Sua principal arma na evangelização é o serviço e a amizade como forma de abrir as portas para a apresentação do evangelho.
(por Jean Chagas)






segunda-feira, 13 de julho de 2009

A Mensagem da Esperança em Meio à Necessidade




Hoje toda a equipe do Projeto Peru se encontrou novamente em Cusco. São os momentos de descanso e preparação para a nova etapa que nos espera, com seus desafios e suas histórias. Cada um dos integrantes, com suas experiências para contar e com a memória de fatos que só podem ser sentidos na flor da experiência: com cheiro, toque e tudo mais!

Agradeço a Deus este espaço para compartilhar com você parte daquilo que temos testemunhado e participado historicamente nestes dias. Para aqueles que já estão acompanhando neste dias o conteúdo postado, está claro que a minha ênfase no blog está em pessoas e suas histórias durante este mês de viagens missionárias.


No sábado, estive com a equipe numa Comunidade Quexua de nome Vale Verde, nas cercanias da cidade de Abancay (Peru). Descobrimos que duas famílias da comunidade são cristãos comprometidos que percorrem os vários quilômetros a pé aos domingos para ir à Igreja. Voltam no escuro das noites, chegando às 22h30 para no outro dia começar suas atividades no campo às 5h da manhã.


Dona Ernestina é a líder entre estes irmãos comprometidos. Convertida desde os 14 anos, na altura de seus 50 ainda não possuía uma Bíblia. Ela nos recebei com muito carinho e nos levou à casa dos outros irmãos, onde o patriarca jazia num leito enfermo. Um cavalo lhe havia qubrado a perna. Com choro nos pediu uma oração, e depois de orarmos com ele e vermos a situação de total pobreza, recolhemos uma oferta. Seu choro agora era convulsivo, cria, como nós também, que aquela vizida havia sido providencial para socorrer sua casa.

Então, Dona Ernestina nos conduziu às famílias da comunidade que não conhecinham o evangelho. Pregamos para três famílias e colhemos de imediato 6 frutos de conversão. Entre eles, de uma mulher muito resistente e crítica aos crentes. Com ela gastamos bastante tempo, apresentando-lhe a mensagem da Cruz. Após o convite, veio a resposta: "Sim, eu quero entregar minha vida a Jesus!"

Nossa anfitriã estava reluzente. Num só dia, recebera a Bíblia como presente e presenciou a conversão de várias pessoas pelas quais tem orado e testemunhado nos últimos anos. Para nós, fica a alegria de sermos meros instrumentos do Espírito Santo e a felicidade de ver que em lugares tão distantes e marcados pela necessidade humana a graça de Deus está transformando vidas e dando-lhes uma esperança eterna.


Jean Chagas

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O Poder de Cristo Versus o Poder Demoníaco!



Chegamos ao mercado do Jardim das Américas, numa região central de Abancay. O objetivo era alcançar pessoas não cristãs, dando-lhes também um exemplar da Bíblia. Logo que perceberam nosso movimento, centenas de pessoas se aglomeraram com o desejo de serem presenteados com a Palavra de Deus. As Bíblias não eram suficientes naquele momento. Então, pregamos o envangelho e sortemaos os exemplares que tínhamos. Cerca de 50 pessoas fizeram sua decisão por Cristo e os que não foram sorteados foram orientados a irem à Igreja, onde estamos hospedados, para receberem seu exemplar.


Entre as oito pessoas que nos procuraram na Igreja, havia uma senhora de aparência sofrida. Marcas fortes no rosto. Estava alí para 'reconciliar-se com Deus e poder ter sua Bíblia, o que nunca fora possível, mesmo quando estava na fé. Seu marido é um feiticeiro numa comunidade Quexua. Recebeu a Cristo quando de uma cura durante a luta contra um cancer. Seu marido não pôde curá-la com o poder dos espíritos, porém um pastor lhe falou que Cristo tinha poder para fazer o que os demônios não estavam fazendo por ela. Rogando a Deus foi agraciada com a cura, o que tornou-se um grande testemunho para toda sua comunidade.


Entrogou-se a Cristo. Seus filhos lhe disseram que se o Deus dos cristãos é maior do que os espíritos de seu pai, passariam também a servir a Jesus. Como explicar o fato de alguém viver uma experiência tão forte enfraquecer-se na fé?


Imagine você vivendo o seu dia-a-dia neste contexto de sofrimento e opressão sem uma comunidade cristã para frequentar, sem se quer uma Bíblia para ler. Seus filhos mudaram-se para a cidade, tinham agora uma Igreja para ir e se alimentar. Mas aquela senhora, pouco dos recursos comuns lhe sobrava como fonte de fortalecimento para vida com Jesus.


Mas agora ela estava ali à nossa frente, ávida pela Palavra, desejosa de voltar-se novamente para seu verdadeiro salvador. Queria uma Bíblia para ler, alguns irmãos para compartilhar e orar. Pois o essencial ela nunca perdeu, o mover do Espírito Santo. Por um momento, fomos instrumentos do Senhor para alimentá-la e consolá-la, agora rogamos que Deus lhe envie outros meios para que Cristo se mostre triunfante em sua vida e de sua família.


Mesmo cercada por todas as hostes do mal, sem Bíblia, sem irmãos próximos, com todas as forças levantando-se contra sua fé, o Espírito estava ali, e o Espírito lhe fortificou nestes dias, e lehe entregou, através de nós, uma fonte de consolo onde quer que esteja: uma Bíblia sua, para meditar e alimentar sua fé. Aleluia!


Jean Chagas

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A História de Três Irmaos!



OBS: Os erros de pontuaçao sao causados pela diferença do teclado peruano para o teclado próprio para língua portuguesa!

No Peru sao comuns as famílias numerosas, com muitos filhos. Na casa de Rose Mary eram sete irmaos reunídos aos seus pais. Até que uma fatalidade roubou a vida de sua mae. Uma morte repentina e prematura trouxe um processo de fraquimentaçao da casa daquela menina que tinha apenas 7 anos naquela sofrivel ocasiao.

Logo, seus olhos viram alguns de seus irmaos sendo repartido a alguns parentes e uma de suas irmas dada a um casal desconhecido. Entretanto, estavam ainda reunidos juntos à menina seu pai e dois irmaos gêmeos recém nascidos: Victor Abel e Victor Raul.

Prematuramente, aquela criança assumiu a maternidade de seus dois irmaos remanecentes da família que fora desagregada pela tragédia. Ignorou sua própria dor e tentou manter os cuidados de seus irmaos, sacrificando muito de seus estudos.


Através do convite de uma vizinha, esteve em uma célula de crianças onde conheceu Jesus como salvador pessoal. Achou uma fonte de consolo perene, alguém que lhe podia ouvir a súplica em todo lugar e a qualquer hora. Passou a levar seus pequenos irmaos para também usufruirem da bênçao do conhecimento de Deus. Através da célula e de sua Igreja redescobriu uma grande família para partilhar de suas alegrias e dores. Deus lhe restituía através da comunidade da fé mae e muitos irmaos.

No último sábado tivemos o privilégio de estar com aquela criança que agora é uma mocinha de 12 anos. Vimos os rostos alegres e inquietos de seus irmaos. Pudemos dar-lhes um presente de sua família brasileira. Os irmaos que lhes enviaram kits com roupas de frio, gorros e filtro solar para este tempo de sequidao, frio e sol torriscante dos andes.

Assim falou Rose Mery: "Agradeço por meus irmaos do Brasil por terem se lembrado de nós e nos dado um presente tao especial. Eles estarao em minhas oraçoes." Sao histórias vivas como esta que nos convecem de que todo nosso esforço é tao pequeno diante daquilo de recebemos através da vida de tantas pessoas especiais como Rose e seus irmaos gêmeos. Eles nos fazem lembrar que a graça de Deus está em meio as perdas e sofrimento, pois "Ele ampara o orfao e a viuva, levanta o abatido e dá pao aos que tem fome".
Jean Chagas

sábado, 4 de julho de 2009

Frederico - O Primeiro dentre Muitos!




Ontem tivemos as primeiras atividades em torno da ação missionária proposta para este ano no Peru. Nossas ações foram basicamente de preparação de material e treinamento da equipe.


Ao voltarmos para a casa de apoio, onde estamos hospedados, tomamos um taxi. Um entre as cetenas de outros tão comuns em Cuzco. No volante um jovem com todas as características étinicas que definem os traços deste povo de história milenar.


Comecei a puxar conversa no desejo de compartilhar a fé. Logo, o jovem motorista compartilhou conosco um pouco de sua história: Seu nome Frederico, nascido em Abancay, e como tantos outros jovens peruanos, veio para Cuzco para tentar a vida!


Perguntei se possuía uma Bíblia, logo disse nunca ter tido nenhuma. O convidei a ir à nossa casa de apoio, no próximo dia, porque lhe daria um exemplar da Bíblia Sagrada. Sua resposta foi direta em afirmar que viria para receber seu presente.


As Bíblias estavam todas na Igreja Assembléia de Deus. Hoje, logo após a devocional da manhã, corremos à Igreja para buscar algumas Bíblias, pois afinal, esperávamos nosso ilustre convidado. O horário marcado era às 11h da manhã. Às 11h30, Frederico bateu à porta. Olhar tímido, sorrizo constrangido. Depois de apresentá-lo ao restante da equipe, lhe ofereci a Bíblia e com a participação dos outros irmãos lhe apresentamos o evangelho.


Após testemunharmos lhe desafiamos à entregar-se a Cristo. Para nossa alegria, Frederico abriu seu coração para Jesus. Era o primeiro fruto de uma colheita que cremos ter Deus preparado para todos nós nestes dias.


O convidei para tomarmos o café da manhã juntos, neste domingo. Espero instruí-lo nos primeiros passos da fé. Que Deus abençoe esta preciosa vida que aprendemos a amar nestes dois dias de contato.
Jean Chagas

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Os Personagens de Uma Magnífica História


Esta é a terceira vez que venho ao Peru com a equipe do projeto. Em todas as viagens o mesmo objetivo: glorificar a Deus através da proclamação do seu evangelho, à medida que desenvolvemos ações de misericórdia e a distribuição da Palavra de Deus. Para este ano temos o desafio de abençoar o país com 1500 bíblias, cooperar na edução de higiene bucal das crianças através de 1000 kits e ajudar algumas famílias a enfretarem o frio mediante a doação de agasalhos.


No entanto, toda esta ação nos leva a conhecer pessoas. Alguns são cooperadores conosco, outros, objeto de nossos esforços e amor cristão. São muitos os personagens e histórias. Atrás desta realidade há um elemento desafiador e consolador para a fé. Espero compartilhar estas experiências com você, querido internalta.


Nos próximos dias, conecte-se para ouvir vozes ainda desconhecidas. O som do coração destas pessoas poderá nos dar uma dimensão mais clara da vida e do poder do evangelho. Este é meu anseio mais sincero.


Jean

terça-feira, 16 de junho de 2009

O Reino, a Igreja e o Futuro! – Parte 2

Os Sinais dos Tempos

Depois de observado o conceito de Reino de Deus e a realidade de sua presença histórica faz-se necessário considerar os sinais dos tempos e sua relação com a tensão entre o "já" e o "ainda não". O Senhor Jesus claramente ensinou que tais sinais nos servem como referencial histórico. Portanto, é de suma importância que o cristão esteja atento às manifestações dos desígnios de Deus nos séculos. Isto lhe servirá como desafio à fidelidade e consolo diante do agir soberano do Altíssimo cujos propósitos são de geração em geração.

Os Sinais dos Tempos e a Tensão Histórica

A tensão presente entre a presença do Reino e sua plenitude futura caracteriza o que geralmente denominamos "os sinais dos tempos". Como a Igreja, agente do reino na humanidade, está inserida no mundo, isto a envolve de um modo direto e objetivo. Parte da compreensão do sofrimento dos crentes está justamente em compreender a presença do povo de Deus no mundo que manifesta tais sinais (Atos 14.22; Romanos 8.17,18; 1Pedro 4.12,13; Apocalipse 6.9-11). À medida que compreende o rumo histórico de todas as coisas, o discípulo de Jesus terá uma nova atitude com a cultura de seus dias. Perceberá com mais propriedade sua vocação quanto ao trabalho, família, relacionamentos e manterá um cuidado mais intenso quanto aqueles elementos culturais que manifestam rebelião contra Deus (1 Coríntios 3.10-15; Mateus 25.21,23).

Compreensões erradas sobre os Sinais dos Tempos

  1. Considerar que se referem exclusivamente ao tempo do fim, sem considerar aquilo que eles apontam em relação ao passado e ao presente;
  2. Considerá-los exclusivamente apenas em termos de eventos anormais, espetaculares ou catastróficos (Lucas 17.20-21);
  3. Tentar usá-los como modo de datar o tempo exato da volta de Cristo (Marcos 13.32; Mateus 24.36). Este é um erro ocorrido algumas vezes na história;
  4. Tentar construir um cronograma exato de acontecimentos futuros. (Ex: "Tal" país é a manifestação do Reino das Trevas, o Anticristo virá de "tal" lugar e será "tal" pessoa, etc)

Os Sinais Propriamente Ditos

  1. Sinais da graça de Deus sobre o mundo
    1. Pregação do evangelho a todas as nações – Joel 2.28; Isaías 45.22; Mateus 24.14; Marcos 13.10;
    2. A plenitude de salvação de todos os eleitos – Romanos 9.11 comp. Romanos 11.25,26ª;
  2. Sinais do juízo de Deus sobre o mundo
    1. Violência (guerras) – Mateus 24.6-8; Lucas 13.7,8 e 21.9-11;
    2. Catástrofes naturais (terremotos) - Mateus 24.6-8; Lucas 13.7,8 e 21.9-11; Comp. Apocalipse 16
    3. Escassez de recursos (fomes) - Mateus 24.6-8; Lucas 13.7,8 e 21.9-11;
  3. Sinais de oposição do mundo contra Deus
    1. Tribulação – Mateus 5.10-12; 24.21, 22;
    2. Apostasia – Mateus 24.10-12, 24; 1Timóteo 4.1; 2Tessalonissenses 3.1-5 comp João 10.27,29 e 1 Pedro 1.3-5;
    3. Anticristo – Daniel 7.25; 11.36; Mateus 24.15; Marcos 13.14; 2 Tessalonissenses 2.9; 1 João 2.18, 22; 2 João 7.

Considerações sobre o Anticristo à Luz de 2 Tessalonissenses 2

  1. Aparecerá na grande apostasia ou rebelião (v. 3)
  2. Ele será uma pessoa (v.3 e 4)
  3. Será objeto de adoração (v. 4)
  4. Fará uso de milagres enganosos (v. 9)
  5. Só será revelado depois que for removido o que o detém (v. 6)
  6. Será totalmente destruído por Cristo em sua Segunda Vinda (v. 8)

Pontos Gerais a Considerar

  1. Os sinais dos tempos apontam, antes de tudo, para o que Deus fez no passado (Mateus 16.3 comp. Efésios 5.16/Romanos 13.11-13);
  2. Os sinais dos tempos apontam no futuro para o fim da história, especialmente a volta de Cristo (Mateus 24.14, 29, 30);
  3. Os sinais dos tempos revelam, na história, a antítese contínua entre o Reino de Deus e os poderes do mal (Colossenses 1.13-14; 1 Coríntios 2.12-16);
  4. Os sinais dos tempos pedem uma decisão, um posicionamento de compromisso (João 9.4-5; Efésios 5.11-16)
  5. Os sinais dos tempos requerem vigilância constante (Mateus 24.42).

(Jean Chagas - Material Consultado: A Bíblia e o Futuro, Antony Hoekema, editora Cultura Cristã)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O Reino, a Igreja e o Futuro – Parte 1



A Vinda do Reino de Deus – Entre o "já" e o "ainda não"!


Falar acerca do Reino de Deus não é tarefa simples. De um lado, é um tema que possui nuances em toda a Escritura, é como um elo de unidade de toda a teologia bíblica. De outro lado, sempre foi assunto controverso na História. Os católicos reduziram seu conceito à idéia de igreja enquanto os protestantes o reduziram à experiência intimista e individualista do cristão. Porém, a partir da teologia da aliança e de uma pesquisa bíblica mais cuidadosa, será verificado que o ensino sobre o Reino é muito mais amplo e profundo, permeando toda a história humana.


Criação e Queda


Ao criar todas as coisas e a humanidade à sua imagem, Deus estabeleceu uma relação de governo amoroso com a criação. Firmou sua aliança com o homem, dando-lhe um mandato de cuidado e domínio da natureza conforme registrado em Gênesis 1.28-30. Não obstante, o capítulo posterior da história é de ruptura e rebelião contra o Altíssimo mediante a queda. De uma aliança de amor, os homens tornaram-se escravos de um reino de trevas e morte (Gn 3), distanciando-se do propósito de sua existência. As páginas do Antigo Testamento passam a anunciar que a paz só seria reconquistada através da vinda do Reino de Deus e de seu Messias (Sl 2). Ecoa uma voz de misericórdia, num anúncio da redenção futura (Is 9.1-7).


Redenção e Consumação


Surge um homem, "uma voz que clama do deserto". A síntese da pregação de João Batista é: "Arrependam-se porque está próximo o Reino de Deus (Mt 3.1-3)." Logo após, Jesus começa sua pregação com o mesmo convite ao arrependimento e percepção da proximidade do Reino. Há, entretanto um elemento novo na pregação de Jesus: "O tempo está cumprido!" Em Mateus 12.28 Jesus afirma: "Mas se é pelo Espírito de Deus que eu expulso demônios, então chegou a vocês o Reino de Deus. O Cristo manifesta seu poder através da expulsão das forças do mal e por ter "amarrado o valente" (Mt 12.29), o que possibilita a expansão do Reino através da pregação do evangelho.


O Reino é uma realidade presente no mundo através de Jesus. Mas também se relaciona a uma realidade futura. Em Mateus 7.21-23 e 13.47-50 o Filho de Deus ensina que o reino "já" presente "ainda não" está em toda a plenitude sobre a terra. Este "já"e "ainda não gera uma tensão crescente na história, uma vez que o primeiro refere-se à obra de redenção que foi iniciada e está presente nos séculos. O segundo reporta-se à consumação final, onde o Reino virá em sua glória e plenitude no Dia do Senhor. George Ladd comenta: "O fato do Reino de Deus estar presente num sentido e ser futuro em outro, implica em que permanece uma certa tensão entre o 'já' do Reino e o 'ainda não' do Reino."


A definição, portanto, do que é o Reino de Deus não é simples e muito menos secundária. O teólogo reformado Antony Hoekema tenta nos oferecer um conceito geral nas seguintes palavras: "O Reino de Deus deve ser entendido como o reinado dinamicamente ativo de Deus na história humana, por meio de Jesus Cristo, cujo objetivo é a redenção do seu povo do pecado e dos poderes demoníacos, e o estabelecimento final dos novos céus e nova terra. "


Compreensão e implicações para a História


Ao retratar a história a partir destes quatro grandes acontecimentos (criação, queda, redenção e consumação) a Escritura nos oferece uma percepção da história com as seguintes compreensões: 1. Deus é o Senhor da história e Cristo é o seu eixo, ou centro; 2. A história é um desenvolvimento dos propósitos de Deus; 3. O novo tempo já foi inaugurado através da presença do Reino mediante Cristo; 4. Tudo na história se move em direção a um alvo, novo céu e nova terra.


Este novo óculos histórico lança algumas importantes implicações, entre elas: 1. Devemos viver com um senso de urgência quanto ao modo que conduzimos a história de nossas vidas; 2. Precisamos reconhecer a tensão histórica que nos cerca em função do "já"e "ainda não"do Reino e sua relação conflituosa com o mundo e o reino das trevas; 3. Só Deus pode nos colocar no Reino, porém isto exigirá de nós arrependimento e fé; 4. O Reino demanda compromisso total, ou Cristo é tudo ou ele é nada para você; 5. O Reino implica redenção cósmica, pois do modo com que toda a criação foi afetada pelo pecado, assim Deus está restaurando todas as coisas pela manifestação do poder da cruz de Jesus, o que nos levará a novo céu e nova terra.

Rev. Jean Chagas